Meu pai morreu em acidente de trabalho no Brasil e eu moro fora. Tenho direito a indenização?

Resposta direta: tem. Morar em outro país não tira do filho o direito à indenização por dano moral pela morte do pai em acidente de trabalho. O Tribunal Superior do Trabalho reconhece esse direito aos filhos, pais, irmãos e cônjuge da vítima. A ação corre na Justiça do Trabalho no Brasil e pode ser conduzida pelo advogado com procuração, sem viagem.

Este texto faz parte do guia do Rocha Advogados para brasileiros que moram no exterior e se liga ao guia de direitos da família no acidente de trabalho fatal.

Quem tem direito à indenização?

O TST fixou no Tema 181 de recursos repetitivos que filhos, pais, irmãos e cônjuge ou companheiro da vítima fatal têm direito a dano moral próprio, chamado de dano em ricochete. O sofrimento é presumido; a empresa pode tentar provar o contrário, mas a família não precisa demonstrar a tristeza.

Cada familiar pede em nome próprio. O irmão que mora no Brasil e o filho que mora no Canadá podem estar na mesma ação ou em ações separadas. Mais detalhes em dano moral em ricochete.

Além do dano moral, o que pode ser pedido?

O art. 948 do Código Civil prevê o pagamento das despesas de tratamento e de funeral e uma pensão a quem dependia da renda da vítima. O filho que mora fora e já se sustenta, em regra, não recebe a pensão, mas o filho menor ou estudante que dependia do pai pode receber.

Pedido Quem pode pedir
Dano moral próprio Filhos, pais, irmãos, cônjuge ou companheiro (Tema 181 do TST)
Pensão mensal ou em parcela única Quem dependia da renda da vítima (art. 948, II, do Código Civil)
Despesas de funeral Quem pagou (art. 948, I)
Verbas do contrato não pagas Dependentes ou sucessores, sem inventário, por alvará (Lei 6.858/1980)

Qual é o prazo?

Os prazos da família têm regras próprias e a contagem depende da data da morte e do vínculo da vítima. O guia prazo da família para a ação por morte em acidente de trabalho explica cada caso. Como a prova se perde com o tempo, o melhor momento para começar é logo depois do luto mais agudo.

Como participar do processo morando fora?

O Código de Processo Civil admite atos processuais por videoconferência (art. 236, § 3º) e o depoimento por videoconferência da parte que mora fora da comarca (art. 385, § 3º). A aplicação ao depoimento de quem está em outro país depende de pedido ao juiz e da estrutura da vara, e por isso o pedido é feito logo no início.

  1. Reunir a certidão de óbito, a CAT e o boletim de ocorrência.
  2. Pedir aos parentes no Brasil fotos, notícias e nomes de colegas de trabalho do pai.
  3. Juntar documento que prove o parentesco.
  4. Assinar procuração para o advogado.
  5. Combinar com os demais familiares se a ação será conjunta.

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Perguntas frequentes

O filho que mora fora recebe menos?

Não há regra que reduza o valor por morar em outro país. O valor é fixado pelo juiz conforme o caso.

Irmão também tem direito?

Tem. O Tema 181 do TST inclui irmãos entre os familiares com direito a dano moral próprio.

Preciso de inventário para entrar com a ação?

Para o dano moral próprio, não, porque o direito é de cada familiar. Para verbas que eram do pai, a Lei 6.858/1980 permite o pagamento aos dependentes sem inventário.

Preciso vir ao Brasil para a audiência?

Em regra o pedido de participação por videoconferência é feito ao juiz com base nos arts. 236, § 3º, e 385, § 3º, do CPC.

Fontes consultadas

Código Civil, art. 948; Código de Processo Civil, arts. 236, § 3º, e 385, § 3º; Lei 6.858/1980, art. 1º; TST, Tema 181 de recursos repetitivos.

Por Rafael Bispo da Rocha, advogado, OAB/GO 33.675. Atualizado em 22 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, sem promessa de resultado, conforme o Provimento 205/2021 da OAB.

Rocha Advogados, escritório de advocacia em Goiânia (GO) com atuação em acidente de trabalho fatal e direitos da família, inclusive de quem mora no exterior. Av. D, 419, 4º andar, Setor Marista. Advogados responsáveis: Rafael Bispo da Rocha, OAB/GO 33.675, e Ivenise Uchôa de Almeida Rocha, OAB/GO 59.087. Atendimento online para brasileiros em qualquer país e presencial em Goiânia.

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