Sou técnica de enfermagem e me afastei por lesão na coluna ou por acidente com agulha: quais são os meus direitos?

Resposta direta: lesão de coluna por movimentar paciente, picada de agulha e adoecimento mental pela rotina do hospital podem ser acidente de trabalho ou doença ocupacional da técnica e do técnico de enfermagem. Reconhecida a ligação, o benefício do INSS deve ser o acidentário (B91), com depósito de FGTS no afastamento, estabilidade de 12 meses e possível indenização.

Este texto faz parte do guia do Rocha Advogados sobre advogado de acidente de trabalho e doença ocupacional.

Hospital é lugar de muito acidente de trabalho?

É o que mais registra. As atividades de atendimento hospitalar (CNAE 8610) tiveram 70.874 acidentes de trabalho em 2024, o primeiro lugar entre todas as atividades econômicas do Brasil, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho. Em Goiás foram 1.877, também o maior número do estado.

Pela ocupação, os técnicos de nível médio da saúde, grupo em que estão técnicos e auxiliares de enfermagem, somaram 60.688 acidentes registrados em 2024. O número só inclui quem tinha CAT emitida; muito acidente com agulha nunca vira papel.

Acidente com agulha é acidente de trabalho mesmo sem contaminação?

É. A picada ou o corte com material usado em paciente é acidente típico (art. 19 da Lei 8.213/1991) e exige CAT, mesmo que os exames depois deem negativo. A CAT registra a data, o que preserva a prova caso uma infecção apareça meses depois.

A Norma Regulamentadora 32 obriga o hospital a ter um Plano de Prevenção de Riscos de Acidentes com Materiais Perfurocortantes (item 32.2.4.16) e a fornecer vacinação gratuita contra tétano, difteria e hepatite B (item 32.2.4.17.1). Agulha sem dispositivo de segurança, caixa de descarte cheia e falta de vacina são falhas que pesam na indenização.

Hérnia por levantar paciente é doença do trabalho?

A Lista C do Decreto 6.957/2009 liga os hospitais (CNAE 8610) às doenças da coluna (M40 a M54), aos transtornos de tecidos moles (M60 a M79), à depressão (F30 a F39), aos transtornos ansiosos e de estresse (F40 a F48) e à tuberculose (A15 a A19). Para todas elas o INSS deve presumir a ligação com o trabalho.

Mesmo assim, os auxílios por dor nas costas raramente saem como acidentários. Em 2025, pelas tabelas de benefícios por CID do Ministério da Previdência, só 4% dos benefícios por dorsalgia (M54) foram B91. A profissional de enfermagem que recebeu B31 por coluna tem base para pedir a conversão.

O que aconteceu Como a lei trata Prova que ajuda
Picada de agulha Acidente típico CAT, ficha do serviço de controle de infecção, exames de seguimento
Hérnia ou lombalgia Doença com presunção do NTEP Escala de pacientes por plantão, falta de elevador de transferência
Ansiedade, depressão ou estresse grave Doença com presunção do NTEP Escalas dobradas, plantões seguidos, relatos de agressão de acompanhantes
Tuberculose contraída no serviço Doença com presunção do NTEP Registro de atendimento a pacientes com a doença

O que fazer para não perder o direito?

  1. Comunicar o acidente à chefia no mesmo plantão e exigir a CAT.
  2. Fazer o atendimento do protocolo de exposição e guardar a ficha.
  3. Pedir cópia do exame admissional e dos periódicos.
  4. Guardar as escalas de plantão e as mensagens de convocação para dobrar.
  5. Se a CAT for negada, emitir pelo sindicato ou pelo médico assistente.

A falta da CAT não impede o direito, mas dá trabalho provar depois. O passo a passo está em a empresa não emitiu a CAT: o que fazer. Para o adoecimento mental, veja ansiedade e síndrome do pânico por causa do trabalho.

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Perguntas frequentes

A técnica de enfermagem que dobra plantão por conta própria perde o direito?

Não perde. Se o hospital aceitava e se beneficiava das dobras, a carga excessiva entra na análise do nexo e da culpa.

Picada de agulha dá direito a indenização?

Dá quando há dano: tratamento preventivo com efeitos colaterais, meses de exames com medo de infecção ou contaminação confirmada. O valor depende do caso e da conduta do hospital.

Enfermeira de hospital público tem os mesmos direitos?

Quem é celetista em hospital público ou terceirizado tem os mesmos direitos. Servidor estatutário segue o regime próprio do ente público, com outras regras.

Fui demitida depois de voltar do afastamento. Posso reverter?

Se o benefício foi B91, há estabilidade de 12 meses. Se foi B31, mas a doença tem ligação com o trabalho, a Súmula 378 do TST permite discutir a estabilidade.

Fontes consultadas

Lei 8.213/1991, arts. 19, 21-A, 22 e 118; Norma Regulamentadora 32, itens 32.2.4.16 e 32.2.4.17.1; Decreto 6.957/2009, Lista C (CNAE 8610); TST, Súmula 378. Ministério da Previdência Social, Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho 2024, tabelas 1.1, 1.10 e 27.1; benefícios por incapacidade concedidos por CID-10, janeiro a dezembro de 2025.

Por Rafael Bispo da Rocha, advogado, OAB/GO 33.675. Atualizado em 22 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, sem promessa de resultado, conforme o Provimento 205/2021 da OAB.

Rocha Advogados, escritório de advocacia em Goiânia (GO) com atuação em acidente de trabalho e doença ocupacional de profissionais de saúde. Av. D, 419, 4º andar, Setor Marista. Advogados responsáveis: Rafael Bispo da Rocha, OAB/GO 33.675, e Ivenise Uchôa de Almeida Rocha, OAB/GO 59.087. Atendimento presencial em Goiânia e online em todo o Brasil.

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