AS IMPLICAÇÕES LEGAIS DA ADOÇÃO: COMO GARANTIR OS DIREITOS DA CRIANÇA E DA FAMÍLIA

A adoção é um dos atos jurídicos mais transformadores e significativos, proporcionando a uma criança o direito de ser acolhida em uma nova família. Porém, embora a adoção seja um gesto nobre e de grande responsabilidade, ela envolve uma série de implicações legais que precisam ser compreendidas para garantir que os direitos da criança e da família adotiva sejam respeitados.
Neste artigo, exploraremos as principais etapas do processo de adoção no Brasil, as implicações legais envolvidas e como garantir os direitos de todos os envolvidos – especialmente da criança, que é o principal sujeito da adoção.
O Que é Adoção?
A adoção é um procedimento jurídico que estabelece uma nova relação de filiação, criando um vínculo de paternidade ou maternidade entre os adotantes e a criança ou adolescente. O objetivo da adoção é oferecer um ambiente seguro, amoroso e estável para o desenvolvimento da criança, que, por diversos motivos, não pode ser mantida pela família biológica.
No Brasil, a adoção é regulamentada pelo Código Civil, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e por outras normativas que buscam garantir que o processo seja conduzido de maneira ética, justa e prioritariamente voltada para o bem-estar da criança.
Etapas Legais do Processo de Adoção
O processo de adoção pode parecer simples, mas envolve várias etapas que garantem a proteção legal dos direitos da criança e dos adotantes. A seguir, explicamos as principais fases desse processo:
1. Habilitação dos Adotantes
Antes de formalizar a adoção, os adotantes devem ser habilitados, ou seja, devem passar por um processo de avaliação que considera a sua aptidão para adotar. Essa etapa envolve a análise de diversos fatores, como a saúde física e mental dos candidatos, o ambiente familiar, a renda, a capacidade de educar e prover bem-estar à criança, entre outros aspectos.
O candidato à adoção deve ingressar com um pedido na Vara da Infância e Juventude, e passar por entrevistas com psicólogos, assistentes sociais e outras avaliações que visam garantir que ele ou ela têm condições de assumir a responsabilidade de criar a criança.
2. Escolha da Criança para Adoção
Uma vez habilitados, os candidatos podem se inscrever no Sistema de Adoção, um banco de dados que contém informações sobre crianças e adolescentes que estão em situação de abandono ou cujos pais biológicos não têm condições de cuidá-los. O juiz, junto com os assistentes sociais e psicólogos, faz a correspondência entre as crianças disponíveis e as famílias que se inscreveram.
Em alguns casos, as crianças podem ter irmãos, e o juiz tentará manter os irmãos juntos para preservar o vínculo familiar. Além disso, será considerado o perfil dos pais adotivos e a afinidade entre eles e a criança.
3. Visitas e Acompanhamento Psicossocial
Uma vez que a criança seja colocada em um processo de adoção, os adotantes passam a ter visitas periódicas. O acompanhamento psicossocial é fundamental durante esse período para avaliar a adaptação da criança à nova família e garantir que a transição aconteça de maneira saudável.
Essas visitas ajudam a avaliar a interação e o vínculo entre os pais adotivos e a criança, assegurando que a criança se sinta acolhida no novo lar.
4. Sentença de Adoção
Se o juiz considerar que a criança está adaptada ao novo lar e que a adoção atende ao melhor interesse da criança, será proferida uma sentença de adoção, que transforma os adotantes em pais legais da criança. A partir dessa sentença, a criança adota o sobrenome da família adotiva e passa a ser legalmente filha dos pais adotivos, com os mesmos direitos e deveres de uma criança biológica.
5. Efeitos da Adoção
Após a adoção ser formalizada, a criança passa a ter os mesmos direitos de um filho biológico. Isso inclui direito à herança, ao nome e à proteção familiar. Além disso, a adoção implica que os pais biológicos perdem qualquer direito sobre a criança, incluindo a guarda, a convivência e a autoridade parental.
É importante destacar que, embora os pais biológicos possam ter perdido seus direitos, se houver alguma ligação com os familiares biológicos, as visitas e relações com esses parentes serão avaliadas de acordo com o melhor interesse da criança.
Direitos da Criança na Adoção
A principal preocupação em todo o processo de adoção deve ser o bem-estar da criança. Assim, a legislação brasileira assegura uma série de direitos a ela, tanto durante o processo de adoção quanto após a adoção ser formalizada. Entre os principais direitos da criança, destacam-se:
1. Direito à Identidade
A criança tem o direito de ter sua identidade respeitada, o que inclui o direito de ter um nome, nacionalidade e filiação. A adoção, portanto, é uma forma de assegurar que a criança tenha seu nome e identidade legalmente estabelecidos, sem discriminação.
2. Direito à Família
A criança tem direito a viver com uma família que ofereça amor, cuidado, proteção e educação. A adoção é, portanto, um mecanismo para garantir que crianças em situação de vulnerabilidade ou abandono encontrem uma família para suprir essas necessidades essenciais.
3. Direito à Proteção e ao Desenvolvimento Integral
O ECA garante que a criança deve ser protegida contra qualquer forma de abuso, negligência ou violência. A adoção assegura que a criança receba a educação e a convivência familiar que favoreçam seu desenvolvimento físico, psicológico e emocional.
4. Direito à Participação no Processo de Adoção
Embora a criança não tenha capacidade jurídica para decidir sobre o processo de adoção, o juiz deve ouvir a criança, se ela tiver idade e maturidade suficientes, para avaliar o seu desejo em relação à nova família.
Garantindo os Direitos da Família Adotiva
Além dos direitos da criança, a família adotiva também tem direitos garantidos pela lei. Isso inclui o direito à convivência familiar e o direito de adotar de acordo com suas condições e desejos.
Os pais adotivos têm o direito de registrar a criança como sua e de oferecer a ela todos os direitos que um filho biológico teria. Eles também têm a obrigação de fornecer cuidados, educação e proteção à criança, além de serem responsáveis por sua saúde e bem-estar.
O Desafio do Processo de Adoção no Brasil
Embora o Brasil tenha uma legislação bastante avançada em termos de adoção, o processo ainda é complexo e muitas vezes burocrático. A alta demanda de crianças à espera de adoção e a baixa quantidade de famílias dispostas a adotar criam um cenário difícil para muitos.
A demora na adoção pode resultar em um longo período de espera tanto para as crianças quanto para os candidatos à adoção. Além disso, questões culturais e preconceitos podem dificultar a adoção de crianças com deficiência ou crianças mais velhas, que frequentemente ficam por mais tempo nos abrigos.
Considerações Finais
A adoção é um ato de amor e compromisso, mas também envolve um processo legal importante, que deve ser realizado de maneira cuidadosa e com a orientação adequada. Garantir os direitos da criança e da família adotiva é fundamental para que o vínculo de filiação seja legítimo, estável e duradouro.
Se você está pensando em adotar ou se já iniciou o processo, é essencial contar com a orientação de um advogado especializado em direito de família, que pode guiá-lo nas etapas legais e ajudá-lo a garantir os direitos de todos os envolvidos.
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